Reajuste do Plano de Saúde Coletivo em 2026: o Que os Dados da ANS Mostram

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Pipo Saúde

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21/9/26

Reajuste do Plano de Saúde Coletivo em 2026: o Que os Dados da ANS Mostram Sobre a Faixa Real (e Como Usar Isso na Renovação)

O reajuste médio aplicado aos planos coletivos empresariais foi de 10,76% em 2025 e de 9,9% nos dois primeiros meses de 2026, segundo boletim da ANS.

Ao mesmo tempo, consultorias de mercado como a Mercer projetam a Variação de Custo Médico-Hospitalar (VCMH) entre 13% e 16% para 2026, um intervalo bem acima do teto de 5,11% definido pela ANS para os planos individuais. Se a sua empresa está entrando em ciclo de renovação, esses dois números contam histórias diferentes, e confundir um com o outro é o erro mais comum na hora de planejar o orçamento do benefício.

O ponto de partida para negociar bem não é adivinhar um percentual, é entender de onde ele vem e o que pesa mais no seu contrato específico: o comportamento da sua própria carteira ou a média do mercado.

Por que o teto da ANS de 5,11% não vale para o plano da minha empresa?

Porque esse teto se aplica só a planos individuais/familiares, um recorte que hoje representa cerca de 7,7 milhões de beneficiários, ou 14,5% dos 52,9 milhões de consumidores de planos de assistência médica no Brasil, segundo a própria ANS. Os outros 44,49 milhões de beneficiários estão em planos coletivos, que a Lei 9.656/98 não submete a teto nenhum.

Nesse universo, o reajuste é fruto de negociação entre a empresa (ou a corretora que a representa) e a operadora, baseado principalmente na sinistralidade da própria carteira e na variação de custo médico do setor.

Isso não significa que o número seja arbitrário. A operadora precisa apresentar a memória de cálculo do reajuste, conforme a RN 509/2022 da ANS — e é aí que entra a diferença entre saber exigir esse detalhamento ou aceitar o percentual sem questionar.

O que é VCMH e como ele se diferencia do reajuste que a empresa realmente paga?

VCMH é o índice que mede a variação anual de custo dos serviços médico-hospitalares (consultas, exames, materiais, insumos) e funciona como referência setorial, não como fórmula fechada de reajuste.

Para 2026, o intervalo projetado por consultorias como a Mercer fica entre 13% e 16%, puxado por inflação médica, incorporação de novas tecnologias e maior frequência de uso. Mas o reajuste que a sua empresa efetivamente paga na renovação combina esse pano de fundo setorial com a sinistralidade específica da sua carteira: quanto os seus colaboradores consumiram do plano em relação ao que a empresa pagou de mensalidade.

É por isso que duas empresas do mesmo porte, na mesma operadora, podem receber propostas de reajuste bem diferentes, uma reflete o VCMH "puro", a outra carrega o peso de uma sinistralidade elevada. Quem entende onde a própria sinistralidade está em relação ao mercado chega à mesa de negociação sabendo qual das duas forças está pesando mais.

Qual sinistralidade é considerada saudável, e qual acende alerta?

  • Até 70%: considerado saudável pelo mercado, a arrecadação cobre com folga o gasto assistencial.
  • 70% a 85%: ponto de atenção, vale investigar causas de uso (concentração em poucos beneficiários, procedimentos de alto custo, uso indevido de pronto-socorro).
  • Acima de 85%: alto risco de reajuste expressivo na renovação, especialmente se a tendência se mantiver por mais de um ciclo.

Segundo a Pesquisa de Benefícios de Saúde e Bem-Estar 2026 da Pipo Saúde, que ouviu 627 empresas em 26 segmentos, a sinistralidade média das empresas brasileiras chegou a 82% em 2026 e 53,5% das empresas já operam acima do break-even, ponto em que o custo assistencial supera a arrecadação. Isso ajuda a explicar por que o reajuste coletivo médio (10,76% em 2025) já está acima da inflação e por que boa parte do mercado projeta números ainda maiores para este ano.

Como pedir e ler o relatório de sinistralidade antes de renovar?

O relatório de sinistralidade deve ser solicitado formalmente à operadora ou à corretora com antecedência mínima de 60 a 90 dias da data de renovação, período suficiente para questionar números e montar uma contraproposta.

Ele deve trazer, no mínimo: valor total arrecadado em mensalidades, valor total de sinistros pagos, distribuição de uso por faixa etária e tipo de procedimento, e a evolução mês a mês do índice. Sem esse detalhamento, a empresa negocia no escuro, aceitando ou rejeitando um número sem saber se ele reflete a realidade da própria carteira ou apenas a média do mercado.

Uma corretora que atua de forma consultiva não espera a empresa pedir esse relatório: ela acompanha a sinistralidade ao longo do ano, sinaliza tendências de alta antes da renovação chegar e ajuda a montar o dossiê de negociação com dados, não com intuição.

O reajuste negociado precisa ser igual ao VCMH do setor?

Não, e essa é uma confusão frequente. O VCMH é referência de mercado, não piso nem teto contratual, a operadora pode propor um percentual acima dele (se a sinistralidade da carteira estiver ruim) ou abaixo (se a carteira for saudável e a negociação for bem conduzida).

Empresas que conseguem apresentar dados consistentes de baixa sinistralidade e bom comportamento de uso têm argumento real para negociar um reajuste abaixo da média de mercado, o que reforça por que ter visibilidade sobre a própria carteira, e não só sobre o VCMH setorial, é o que de fato move a negociação.

Existe algum limite legal para o reajuste de plano coletivo empresarial?

Não há teto fixado por lei ou por regulamento da ANS para contratos coletivos empresariais — o que existe é a obrigação de transparência: a operadora deve fornecer a nota técnica e a memória de cálculo do percentual aplicado, conforme a RN 509/2022.

Contratos com menos de 30 vidas seguem a lógica de agrupamento (pool de risco) prevista na RN 565/2022, o que muda a forma como o cálculo é composto, mas não estabelece limite máximo.

O que fazer se o reajuste proposto estiver muito acima do VCMH e da própria sinistralidade?

O primeiro passo é formalizar o pedido de revisão com base na memória de cálculo, pedir que a operadora demonstre, número a número, como chegou ao percentual. Se a sinistralidade real da carteira está controlada e o índice proposto não reflete isso, há espaço de negociação genuíno, não garantido, mas real.

Avaliar mudança de porte de contrato, ajuste de coparticipação ou até migração de operadora também entram como alavancas, mas todas dependem de ter dado concreto em mãos, não de comparação informal com "o que outras empresas pagaram".

Como a Pipo Saúde ajuda nesse processo

A Pipo Saúde atua como corretora de benefícios acompanhando a sinistralidade da carteira ao longo de todo o contrato, não só na véspera da renovação, e apoia a construção do dossiê de negociação com dados reais antes que o reajuste chegue como surpresa.

Isso não garante um percentual específico, quem define o índice final é a negociação entre empresa e operadora, mas dá ao RH visibilidade para chegar à mesa com argumento, e não só com a fatura do ano anterior na mão.

Perguntas frequentes

Qual foi o reajuste médio dos planos de saúde coletivos em 2026?

Segundo boletim da ANS, o reajuste médio dos planos coletivos foi de 10,76% em 2025 e de 9,9% nos dois primeiros meses de 2026 — números que não têm relação com o teto de 5,11% aplicado aos planos individuais.

O teto de 5,11% da ANS vale para o plano de saúde da minha empresa?

Não. Esse teto se aplica apenas aos planos individuais/familiares, que representam 14,5% dos beneficiários no Brasil. Planos coletivos empresariais, onde estão 44,49 milhões de beneficiários, não têm teto da ANS e seguem negociação livre entre empresa e operadora.

O que é VCMH e qual a projeção para 2026?

VCMH é a Variação de Custo Médico-Hospitalar, índice que mede a inflação dos serviços de saúde. Consultorias como a Mercer projetam entre 13% e 16% para 2026, servindo como referência de mercado — não como fórmula fixa de reajuste contratual.

Qual sinistralidade é considerada saudável para um plano empresarial?

Até 70% é considerada saudável pelo mercado. Entre 70% e 85% é ponto de atenção, e acima de 85% indica alto risco de reajuste expressivo — segundo a Pesquisa de Benefícios 2026 da Pipo Saúde, a média das empresas brasileiras está em 82%.

Como pedir o relatório de sinistralidade à operadora?

O pedido deve ser feito formalmente, com 60 a 90 dias de antecedência da renovação, solicitando arrecadação total, sinistros pagos e distribuição de uso por período. Uma corretora consultiva acompanha esse relatório ao longo do ano, em vez de esperar a empresa solicitar apenas na véspera da renovação.

Existe limite legal para o reajuste de plano coletivo empresarial?

Não há teto legal, mas a RN 509/2022 da ANS obriga a operadora a fornecer a memória de cálculo do reajuste proposto, o que dá à empresa base para questionar e negociar o percentual.

O que fazer se o reajuste proposto estiver muito acima da sinistralidade real da empresa?

Formalizar pedido de revisão com base na memória de cálculo é o primeiro passo. Se os dados da carteira não sustentam o percentual proposto, há espaço para negociação — mas o resultado depende de cada caso e não pode ser garantido de antemão.

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