Absenteísmo: como e por que calcular a falta no trabalho?

Por

Carolina Lais

Por

Atualizado em

6/7/2022

Publicado em

10/6/21

Talvez você ainda não saiba o que é absenteísmo, mas pode ter certeza que todo setor de RH observa com atenção as faltas dos funcionários. A taxa de absenteísmo no trabalho indica, com mais precisão, a quantidade de ausências e atrasos dos colaboradores de uma empresa.

Mesmo quando as faltas são justificadas, se elas se tornam recorrentes ou se acumulam, uma série de problemas pode acontecer no ambiente de trabalho e que podem impactar em diversas áreas, até mesmo na saúde corporativa. Por isso, é essencial ficar sempre de olho nesse índice e atuar para reduzi-lo o máximo possível. 

Se você tem interesse nesse assunto e quer saber como calcular o absenteísmo, acompanhe!

Neste conteúdo, você vê:

O que é absenteísmo?

Ao pé da letra, absenteísmo significa se abster de alguma função, ou seja, deixar de realizar uma determinada obrigação. Isso pode acontecer na escola, faculdade e, é claro, no ambiente de trabalho.  

Sendo assim, o absenteísmo no trabalho é o termo utilizado para definir momentos onde as atividades não são executadas. Estes podem ser tanto no formato de faltas quanto de atrasos ou saídas mais cedo de funcionários e podem acontecer de forma repetitiva, justificados ou não. 

No caso dos atrasos, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) define que 10 minutos diários é um tempo tolerável e, dentro desse limite não há nada que a empresa deva fazer. Quando passam desse tempo, podem resultar em advertência ou até demissão por justa causa.

Afinal, quando o atraso ou as faltas acontecem com frequência, é bem provável que o desenvolvimento profissional do colaborador e a produtividade de toda a sua equipe sejam prejudicados. 

Então, se as taxas de absenteísmo da empresa estão altas, é fundamental compreender quais são as razões e o que pode ser feito para contornar a situação

É natural que um funcionário tenha que faltar uma vez ou outra para resolver problemas pessoais, ou mesmo se atrasar por conta de um imprevisto. No entanto, se isso está acontecendo com frequência, ou se atinge vários colaboradores ao mesmo tempo, pode indicar que algo está errado na organização. 

E são muitos os fatores que podem influenciar o absenteísmo no trabalho: funcionários desmotivados, conflitos internos, ou até excesso de responsabilidades.

Impactos e consequências

O alto índice pela falta no trabalho possui diversas influências para a empresa. Porém, a ação é sentida aos poucos. Por exemplo, muitas faltas podem ocasionar o acúmulo de tarefas e, consequentemente, o funcionário precisará fazer mais horas extras, onerando a folha de pagamento.

Ou ainda, caso o profissional não consiga finalizar o trabalho, as demandas serão repassadas ao resto da equipe, sobrecarregando colegas e até o líder do setor. Isso tudo acaba criando um ambiente hostil e um clima de insatisfação entre os colaboradores, podendo dificultar as tarefas do dia a dia e causar uma fissura na cultura organizacional.

Dessa forma, podemos perceber como o problema vai virando uma grande bola de neve, a qual influencia diretamente na produtividade geral, na qualidade interna e principalmente no financeiro.

Para o RH, esse cenário também pode significar um alto índice de turnover e a necessidade de encontrar ferramentas para melhorar o ambiente e diminuir as faltas.

Inclusive, diversos estudos já apontaram que o excesso de absenteísmo gera prejuízos incalculáveis para as empresas em relação a salários pagos para colaboradores que não comparecem, o custo para substituí-los e as diversas despesas administrativas para lidar com tudo isso.

Tipos de absenteísmo

É preciso classificar o absenteísmo para entender o que pode ser feito para resolvê-lo. Existem faltas motivadas pela empresa e outras pelo próprio funcionário, podendo ser justificadas ou não. 

Entenda melhor:  

Absenteísmo justificado

A falta justificada é aquela que possui um motivo e, normalmente, a empresa já sabe que irá acontecer. A legislação trabalhista prevê diversas situações em que um funcionário com carteira assinada pode se ausentar do serviço. Veja algumas delas:

  • casamento;
  • doação de sangue;
  • doença;
  • falecimento de cônjuge ou de parentes próximos;
  • nascimento ou adoção de filhos;
  • realização de provas para ingressar no ensino superior.  

Nesses casos, as faltas são justificadas e não são descontadas do trabalho.

Existem também outras faltas ou atrasos que são bem comuns, e justificados, causados por situações que fogem do controle como engarrafamentos ou consultas médicas de emergência, por exemplo.

Absenteísmo não justificado

A falta injustificada, como o nome indica, acontece sem qualquer autorização ou comunicação à empresa. É quando o colaborador não comparece e não relata o motivo pelo qual ele se ausentou. Ou ainda, quando sai da empresa no horário de trabalho sem qualquer justificativa. 

Se o funcionário disser que foi em uma consulta, mas não apresentar atestado médico, por exemplo, a empresa também pode considerar o caso como um absenteísmo não justificado. 

O que causa o absenteísmo? 

Além de situações imprevistas, que certamente podem acontecer com qualquer colaborador, existem outras motivações que podem provocar as faltas — essas sim podem ser reduzidas. Entre elas:

  • assédio moral, discriminação ou bullying;
  • acúmulo de tarefas;
  • baixa expectativa de crescimento;
  • conflitos internos e falta de comunicação;
  • desalinhamento com a cultura da empresa;
  • desmotivação e desinteresse pela função desempenhada;
  • doenças ocupacionais;
  • falta de plano de carreira;
  • problemas de ergonomia;
  • riscos e falta de segurança.

Turnover e absenteísmo: qual a diferença?

Turnover e o absenteísmo no trabalho são indicadores diretamente proporcionais e ambos impactam negativamente na empresa, mas são diferentes conceitos.

O turnover mede a taxa de rotatividade dos colaboradores, ou seja, quantos funcionários saíram ou entraram na organização em um determinado período de tempo. 

Já o absenteísmo, como já sabemos, mede as faltas e atrasos dos funcionários. Para identificá-lo é preciso perceber como anda o nível de atrasos e ausências, a partir de um cálculo simples, que será detalhado mais adiante.

Toda empresa tem tanto absenteísmo quanto turnover. Mas é importante mensurá-los para verificar se as taxas não estão apontando problemas, como falta de infraestrutura e má remuneração.

Quer ver um exemplo? As ausências de um colaborador podem significar que ele não está satisfeito com a empresa e isso, pode, em algum momento motivar a sua saída. Dessa forma, você percebe como o índice de absenteísmo influencia o turnover e vice-versa? Se um indicador está alto, é bem provável que o outro também esteja. 

Qual a relação entre falta no trabalho e NR 17?

Normas Regulamentadoras, ou NRs, são parâmetros que orientam procedimentos que são obrigatórios quando se trata de saúde e segurança do trabalho.

Uma das NRs, a NR 17, estabelece parâmetros para questões ergonômicas dentro do ambiente de trabalho. Em outras palavras, a norma propõe diversas ações que as empresas devem tomar para melhorar a relação dos colaboradores com os equipamentos de trabalho que eles utilizam. 

Nós mencionamos que uma das causas do absenteísmo são os problemas com ergonomia. Então a NR 17 pode ser um norte para solucionar essa questão.

Sendo assim, entre os assuntos que a norma propõe estão:

  • características dos mobiliários dos postos de trabalho;
  • condições ambientais de trabalho;
  • organização do trabalho;
  • questões sobre o levantamento, transporte e descarga individual de materiais.

Como vimos, a NR 17 visa garantir o conforto, a saúde e a segurança dos trabalhadores. Nesse sentido, fica fácil entender como ela se relaciona com as faltas no trabalho. 

Assim, quando as medidas da norma são aplicadas, é possível reduzir diversos problemas de saúde dos funcionários e melhorar o clima organizacional. Muitas vezes essas atitudes são suficientes para reduzir a taxa de absenteísmo.

 Os objetivos da NR 17

Ainda assim, é importante entender os objetivos da norma. Como comentamos, sua ideia principal é estabelecer bons padrões nas condições de trabalho do colaborador, tanto na parte física quanto psicológica. Além disso, ela estabelece questões sanitárias e de saúde ocupacional, o que, como já vimos, também influenciam diretamente no absenteísmo.

No item 17.8 da norma, por exemplo, destaca-se a necessidade de criar um ambiente de máximo conforto e segurança. Já o item 9, observa a obrigatoriedade do empregador de realizar a análise ergonômica do local e garantir que o mesmo siga as regras definidas no regulamento.

Vale lembrar que a NR 17 está presente nos artigos 198 e 199 da CLT, sendo uma preocupação estabelecida por lei. Com isso, faz parte do seu objetivo criar mecanismos com a capacidade de aprimorar a qualidade de vida e a saúde, além de preservar a segurança, auxiliando em um menor índice de faltas no trabalho.

Como fazer o cálculo do índice de absenteísmo?

Acompanhar o índice ou taxa de absenteísmo é fundamental para identificar problemas na organização, pontos de melhoria e combater tipos de comportamento, através de valores de referência que podem ser monitorados.

Para fazer o cálculo da taxa de absenteísmo é muito simples:

  • 1º: multiplique o número de colaboradores pelo número de horas e dias de trabalho;
  • 2º: encontre o número de horas perdidas somando todos os atrasos e faltas;
  • 3º: divida o número de horas perdidas pelo número de horas de trabalho;
  • 4º: multiplique o valor encontrado por 100 para encontrar o percentual.  

O resultado será a taxa de absenteísmo. Quer ver um exemplo?

Vamos imaginar uma empresa de 10 funcionários que trabalham 8 horas por dia, durante 22 dias no mês. Seguindo a primeira etapa, o cálculo do absenteísmo será 10 x 8 x 22. Ou seja, entendemos que eles trabalham 1760 horas por mês.

Agora, vamos supor que a soma das faltas e atrasos de todos os colaboradores tenha sido de 120 horas. O próximo passo é dividir as horas trabalhadas e perdidas: 120 / 1760 = 0,068. 

Sendo assim, nesse caso, a taxa de absenteísmo é de 6,8% — um número alto, se levarmos em consideração o índice ideal que falaremos em seguida.

Índice saudável de absenteísmo para empresas

É impossível zerar o absenteísmo. Afinal de contas, mesmo se a empresa adotar várias medidas de controle, imprevistos acontecem e é natural um funcionário chegar atrasado ou faltar de vez em quando, ainda que haja um esforço coletivo.

Mas isso não quer dizer que não devemos ficar de olho na taxa de absenteísmo. Segundo uma pesquisa divulgada pelo portal Exame, as 500 maiores empresas do Brasil perdem R$ 230 milhões por ano devido à improdutividade, faltas e rotatividade. 

Então, como saber se o índice de absenteísmo de uma empresa é saudável? Diversas fontes citam um índice de 3 a 4% por mês como considerado normal e acima disso é preciso acompanhar com mais atenção.

Principais causas de alto índice de falta no trabalho

Diversos motivos levam a um alto índice de absenteísmo no trabalho e nós vamos falar sobre os principais deles a seguir.

Problemas pessoais

Não é apenas o que acontece dentro da empresa que pode provocar excesso de faltas ou atrasos no trabalho. Isso também pode acontecer por conta de problemas pessoais, como brigas no casamento ou na família, questões financeiras ou doenças.

É importante que a empresa esteja sempre atenta ao colaborador como indivíduo para que possa ajudá-lo, nem que seja ouvindo suas questões.

Falta de infraestrutura

Se queremos um profissional motivado e comprometido com o trabalho, é indispensável dar todas as ferramentas e infraestrutura necessárias para executar suas funções.

A falta de condições de trabalho adequadas, provavelmente deixará os colaboradores menos produtivos e assíduos.

Dificuldade de relacionamento com as lideranças e outros colaboradores

O ambiente de trabalho precisa ser acolhedor e respeitoso para que os funcionários se sintam motivados em ir para a empresa. Certamente um bom relacionamento pode reduzir faltas injustificadas e estimular o colaborador a se levantar da cama para chegar no horário certo.

Já uma liderança autoritária, a qual só faz exigências e esquece de ouvir os seus liderados, geralmente faz com que a dinâmica seja repetida entre os funcionários, deixando a convivência muito complicada. 

Desvalorização profissional

A relação profissional é uma via de mão dupla, não é verdade? Quando o funcionário não é valorizado, a tendência natural é que ele tenha um desempenho pior, adoeça mais e tenha menos assiduidade no trabalho.

Dessa forma, não existe motivação sem que o colaborador se sinta fazendo parte da empresa. Assim, vamos falar mais a frente sobre maneiras de valorizá-lo.

Problemas de medicina e segurança do trabalho 

Quando a empresa deixa de investir em medicina e segurança do trabalho, os números de acidentes e doenças ocupacionais (que também interferem no índice de absenteísmo) tendem a aumentar.

Vale lembrar: investir em medicina do trabalho, além de melhorar a produtividade e o clima, também é uma forma de economizar com o plano de saúde empresarial — os dois serviços são complementares e podem fazer maravilhas na organização.

Como diminuir o índice de ausência no trabalho?

Se após o cálculo do absenteísmo você encontrou uma grande taxa, tenha calma! Existem diversas medidas para reduzir o número de ausências no trabalho, veja as principais:

Faça pesquisas de satisfação

Realizar pesquisas de satisfação regularmente é essencial para saber como os colaboradores se sentem no ambiente de trabalho e o que pode ser feito para melhorar. 

Dessa forma, o funcionário se sente ouvido e respeitado pela empresa, percebe o interesse da administração em aprimorar o clima organizacional e tende a se comprometer mais. 

Seja transparente no processo de seleção

Em alguns casos, o que a empresa pode fazer para evitar o absenteísmo começa já no processo de seleção e recrutamento. Contratar o perfil errado para uma vaga pode causar diversos problemas, inclusive as faltas no trabalho. 

Afinal, o colaborador não vai conseguir se identificar com os objetivos da empresa e nem desempenhar bem a função — se tornando muito mais propenso ao absenteísmo. Esse é mais um ótimo motivo para investir no processo de seleção

Valorize a compatibilidade do colaborador com a cultura da empresa

Como mencionado anteriormente, um desalinhamento com a cultura da empresa é uma das principais causas do absenteísmo.

Por conta disso, é fundamental que exista uma cultura bem estabelecida e que esta seja repassada para seus colaboradores, desde o momento do recrutamento.

É fato que colaboradores desalinhados com os valores e hábitos das empresas não são compatíveis com um trabalho motivado. Não subestime essas diferenças e entenda que todos precisam estar alinhados.

Tenha uma boa comunicação interna

Ruídos na comunicação interna afetam a produtividade, provocam brigas, fofocas, e prejudicam o clima organizacional de modo geral. 

A melhor maneira de evitar isso é investir em uma comunicação interna transparente e objetiva. Os líderes precisam dar feedbacks e também estar preparados para ouvir os funcionários. 

Para “quebrar o gelo”, pode ser interessante apostar em dinâmicas em grupo, plataformas internas de comunicação, confraternizações e até mesmo em happy hours.  

Valorize o funcionário

Baixa remuneração e ausência de benefícios influenciam negativamente a produtividade dos colaboradores. Para evitar esse descontentamento, é interessante investir em premiações, feedbacks, criar planos de carreira e outras medidas de valorização. 

Cada funcionário deve ter seu esforço reconhecido e precisa saber o quanto sua presença é relevante para a equipe. 

No entanto, a valorização pode vir de outras maneiras como benefícios relacionados à exercícios físicos como ginástica laboral ou desconto em academias, por exemplo. Ou ainda o estímulo a uma vida mais saudável através da alimentação, oferecendo dentro da empresa opções mais naturais ou realizando palestras sobre o assunto.

Flexibilize a jornada de trabalho

Outra ótima opção é mudar a estrutura e flexibilizar a jornada de trabalho. Essa prática ajuda a gerenciar melhor o tempo, pois os profissionais permanecem na empresa apenas pelo período necessário. Além disso, ela tende a aumentar a produtividade, reduzindo a rotatividade e o número de faltas, aumenta o engajamento, a retenção de talentos e ainda melhora a reputação da empresa.

Esta flexibilização pode ser trabalhar menos dias na semana, alterar os horários de entrada ou saída dos funcionários ou adotar o trabalho remoto ou híbrido.

A flexibilização pode levar em conta a realidade de cada profissional já que cada um tem necessidades diferentes: uns podem cuidar dos pais idosos, outros terem filhos pequenos e tudo isso pode ser adaptado para um horário de trabalho que faça sentido tanto para a empresa quanto para cada um dos colaboradores.

Com isso, a flexibilização acaba sendo uma ótima maneira de prevenir problemas. Afinal, é muito mais fácil equilibrar a vida pessoal com a profissional quando o colaborador não passa muito tempo dentro da empresa.

Lembra quando falamos da saúde mental e física? Então, aqui conseguimos ver uma maneira de ajudar nesses quesitos também.

Ofereça maior qualidade de vida ao colaborador

Um funcionário doente, estressado e cheio de reclamações não agrega em nenhuma organização. No entanto, muitas vezes a própria empresa está colaborando para esse sentimento de mal estar. Assim, um olhar mais humano e empático para os colaboradores é algo fundamental para empresas com o desejo de reduzir o número de faltas. 

Disponibilizar benefícios que realmente façam a diferença, como bons planos de saúde, por exemplo, são uma ótima medida para melhorar a qualidade de vida dos colaboradores e, consequentemente, reduzir o absenteísmo. 

Como citamos acima, uma alternativa eficiente é entender a percepção dos colaboradores sobre a empresa. Para isso, a realização de uma pesquisa de clima pode ser essencial. Baixe a nossa planilha e comece a se planejar hoje mesmo!



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